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Os Sacerdotes com Descendência no Povo do Custilhão

Padre Manuel Francisco Gueidão - Abade Gueidão

     Padre Manuel Francisco Gueidão ou Gueidam , nasceu em 1720 e faleceu á 2 de julho de 1780 em Ribolhos.

O seu neto Jose da Ponte (1775 - 1852), casou no Custilhão com Maria Ferreira de Carvalho em 19 de maio de 1805.

     Uma parte do ramo familiar "Ferreira" do povo do Custilhão, tem origem á partir do padre Manuel Francisco Gueidão ou Gueidam

       Histórico de Documentos Relacionados com o Padre Manuel Francisco Gueidão ou simplesmente abade de Ribolhos.

==. 1736  Nomes de suas duas companheiras, filhos e o seu neto Jose da Ponte.   

==  1736  Os seus descendentes diretos até a 8 geração 

==  1748  Habilita-se  ao exercício de «Comissário do Santo Ofício»

==  1758  Graduado em Cânones pela Universidade de Coimbra.

==  1758  Memórias Paroquiais de Ribolhos, efetuadas pelo Abade de Ribolhos

==  1772  Registo de batismo de um neto do Padre Manuel Francisco Gueidam

==  1780  Óbito do "Reverendo Manuel Francisco Gueidam" em 2 de julho.

==  Padre Manuel Francisco Gueidam, Ribolhos séc.:, XVIII enquanto "Couto da Ordem        de Malta"

     

RIBOLHOS, ABADE GUEIDÃO 1758

 

UM NACO DE HISTÓRIA CONCELHIA

 

(...)

     Uma das figuras históricas de que já me ocupei foi do Abade de Ribolhos que, em 1758, assinou as «Memórias Paroquiais». Faleceu em  1780. Chamava-se ele Manuel Francisco Gueidão que, tal como o seu pai,  era natural do lugar de «Gueidão», topónimo assim escrito ainda nas «Memórias Paroquiais» de Mões (ver ilustração ao lado, marcada com oval encarnada) mas que despareceu sem deixar rasto, a não ser na lenda que recolhi e escrevi nos anos 80 do século passado sobre o «Penedo do Gaidão», lenda  que publiquei na imprensa regional e vim a integrar no meu livro «Lendas de Cá, Coisas do Além». (Esgotado) Posteriormente, e até prova em contrário,  é convicção minha que tal nome foi substituído pela Quinta de Santana, cujas construções (habitação e capela) foram devoradas pelo fogo, não há muitos anos.

E o  que sabemos nós deste Abade, a quem alguns historiadores, antes de mim, colam o apelido «Guedes» em vez de «Gueidão»? Sabemos que, em 3 de Março de 1746, por falecimento de seu pai, Domingos Francisco, ficou incumbido de rezar missa perpétua na sua capela de Santa Ana e, para pagamento dela, recebeu uma vinha sita no Barreiro. Sabemos que ele assinou as «Memórias Paroquiais» de 1758, nas quais enumerou, como lhe era pedido,  os templos existentes na área da Paróquia, a saber:

«Tem por Orago Santo André Apóstolo. O templo tem três altares, um de Santo André na capela-mor e dois no corpo da igreja, um na parte direita e outro na parte da esquerda. O da parte direita é de S. Clemente Pontífice e o da parte esquerda de Nossa Senhora do Amparo».

 «Tem huma capela da Senhora da Vitória, situada dentro do lugar de Ribolhos, he administrador della o Padre António Rocha, da vila de Mões. E tem hua capela de Sam Domingos, em um ermo fora do povo, ao pé do rio Paiva, he administrador della o Padre Manuel Maria Pereira, da Quinta de Malafaias, freguesia de Pinho, bispado de Viseu».

 

 Mas, se bem repararam, não fez menção à Capela de Santana que tinha herdado por óbito do seu pai e na qual era obrigado a rezar uma «missa perpétua».

E que sabemos mais?

     Sabemos que no ano de 1748, habilitando-se ao exercício de «Comissário do Santo Ofício» se procedeu, a propósito, à seguinte diligência, no sentido de o Tribunal da Inquisição saber se era pessoa digna de dal missão.  Colo aqui o texto para os nossos políticos não se queixarem do escrutínio a que são submetidos, desde que se proponham a desempenhar funções «A BEM DA NAÇÃO» ou «A BEM DA RELIGIÃO»: A HISTÓRIA sempre nos ensina alguma coisa, ainda que ande por aí gente no concelho que gosta mais de vê-la enterrada, omissa, esquecida, do que tornada pública e explicada.

«Muito Ilustres Srs.

     Executando a ordem de V.Sªs. na forma que nela se determina, fui à Vila de Mões e por pessoas nomeadas pelo Rvdo. Pároco achei que o Pe. Manoel  Francisco Gueidão, Abade de Ribolhos, é natural do lugar de Gueidão, freguesia de Mões, donde também foi natural seu pai Domingos Francisco e sua mãe Maria Lourença, natural do  lugar de Vila Franca da mesma freguesia de Mões. E que é neto paterno de Domingos Francisco falecido há puco tempo e de sua mulher - digo -  e é neto paterno de Pedro Domingues e de sua mulher Maria Francisca, naturais do mesmo Gueidão, e neto materno de Domingos Francisco, bem conhecido pelo alcunha  de Marto, naturais de Vila Franca, da dita freguesia de Mões. E que todas as sobreditas pessoas são naturais donde está dito e que foram lavradores e viveram de sua fazendas que cultivavam e nunca incorreram em infâmia alguma pública, nem  pena vil «juris vel facti», nem descendem de quem a incorresse.

     E que o dito Abade tem menos continência de que se deve ao seu estado, porque tem cinco filhos e um há pouco tempo. Dois que tem em casa se chamam Manuel e Florença e três que estão na Vila de  Crasto Dayre e Bispado de Lamego. Mas não achei quem lhe soubesse os nomes. E todos  são filhos de Maria da Ponte, solteira, filha  de outra Maria da Ponte e de seu marido Manuel Lourenço de Matos, da dita Vila do Crasto. mas que tem juízo, esperteza e capacidade para dar boa conta e guardar segredo de tudo o que se lhe encarregar. E que é Abade colado haverá sete anos na Igreja de Ribolhos que ordinariamente lhe rende com o Passal oitenta mil reis, e o património e compras que fez que valerão cento e cinquenta mil reis, e rende quinze mil reis. E que se trata limpamente e com a decência que permite a pouca renda que tem. E que representa ter perto de cinquenta anos de idade.  E naquelas vizinhanças não há Comissário algum e só em distância de duas léguas e meia o Vigário de São Martinho das Moitas. Nunca foi casado e os filhos que tem ficam acima referidos. E que, assim, o Abade habilitando, per si e seus ascendentes, como os filhos são puros legítimos e íntegros cristãos velhos, sem nota, fama ou rumor em contrário.

 

Em Mões informaram António Machado de Almeida capitão-mor, Josepf  de Oliveira,  Valentim Ferreira, Manuel Simões e outros nomeados pelo Pároco de Mões; em Ribolhos Gabriel Antunes, Domingos Fernandes, Matias de Almeida e Domingos Francisco. Nesta diligência gastei  dois dias. Isto o que achei. V.Srªs. mandarão o que forem servidos.

 Varze 23 de Abril de 1748.

Súbdito de VSªs.

Joseph Roiz Dias»

Escrito por  Abílio Pereira de Carvalho  RIBOLHOS, ABADE GUEIDÃO 1758

     Todas as informações contidas nestas paginas do povo do Custilhão,  foram obtidas á partir de consultas efetuadas em documentos existentes nos arquivos regionais, distritais e nacionais como ADVIS e Torre do Tombo e também em sites genealógicos como https://geneall.net/pt/ , https://www.familysearch.org/pt/ e outros. Sempre que possível, a citação da informação terá o endereço ou o arquivo para consulta on line.

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